quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O TEMPO E SUA HISTÓRIA


Fecham-se as cortinas de mais um ato do espetáculo da vida humana. O fim de uma das etapas dessa nossa história feita de segundos, minutos, horas , dias, meses, anos..... . E o tempo esse nosso companheiro de jornada, apresenta-se para nós de forma incontestável agora que estamos a celebrar mais um marco referencial de sua passagem.

O tempo ! Não há como fugir dele , mesmo que momentaneamente nos deixemos levar pela teoria de Kant, para quem o tempo é apenas uma medida de organização da caótica realidade dos sentidos humanos. Mas o fato é para nossa vida objetiva de quantificação e classificação ele é uma certeza palpável e tangível .

Ao dia segue-se a noite; ao verão o outono; ao inverno a primavera; à lua minguante a lua nova; ao nascimento a morte em intermináveis e sucessivos ciclos de final e recomeço. E assim chegamos ao dia 01 de janeiro. Um dia qualquer de verão no hemisfério sul ou inverno no hemisfério norte, para quem atribuímos o poder mágico de transmutação e renovação.

Certamente os organizadores do Calendário Gregoriano, adotado no Mundo Ocidental , estabeleceram parâmetros religiosos para determinar o início do ano civil, em referências às comemorações do solstício de inverno realizadas pelos ritos pagãos, que ocorriam em dezembro, mês este que foi oportunamente adotado também como marco do nascimento de Cristo. E o tempo esse referencial primordial do dinamismo da natureza perde-se em convenções e imposições arbitrárias, quando boa parte de nós parece acreditar que grandes mudanças aconteceram pela simples virada de página de um calendário pré-fabricado. Enquanto isso a vida transcorre ao sabor das marés, em seus movimentos cíclicos de contínuos e incessantes altos e baixos, sinalizando-nos com toda precisão o que talvez seja o tempo.

TEXTO: Andreia de Oliveira

FOTO 1 : Google

FOTO 2: Montagem E. Nascimento

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A ERA DA VIRTUALIDADE NAS RELAÇÕES


Jovem japonês casa-se com personagem de game revelando ,assim, a deterioração das relações humanas nesse início de século.


Por Andréia de Oliveira

Já é fato que as relações estabelecidas dentro dos limites dos ciberespaços substituem para muitos o contato próximo entre os seres em uma retratação perfeita das angústias existenciais do homem moderno. A solidão, essa tônica gritante da era contemporânea é sublimada através dos envolvimentos travados em sites de relacionamentos, salas de bate papo, ou qualquer outro meio virtual, utilizados, por alguns, como mecanismo de fuga ante a qualquer possibilidade de aproximação real com pessoas.

Nesse mundo virtual tudo se torna permissível e possível, sendo facultada a criação de cenários, identidades e situações dificilmente reproduzidas no mundo real, dado as conflitantes e contraditórias histórias de vidas que povoam a diversidade da espécie humana. E assim se percebe que a realidade virtual do mundo cibernético é um aliado potente da égide individualista que ilustra a personalidade desse cidadão do século XXI ,em seu apego excessivo à tecnologia na tentativa de recriar nas telas de computadores apenas o reflexo de suas própria imagens.

E foi assim dentro desse contexto irreal de felicidade que um japonês anunciou o seu casamento com uma personagem de games Nene Anegasaki , segundo ele a companheira ideal que não se chateia ou o aborrece com os problemas inerentes a todo casal de namorados. O jovem que parece esquecer a tempos de sua identidade verdadeira e de sua própria relação com o mundo, apresenta-se com o nickname de SAL9000, carregando a sua amada retratada na tela de um game para todos os lugares e em meio a juras eternas de amor ,afirma, categoricamente não precisar de nenhuma namorada humana

O que poderia ser visto como uma simples brincadeira ou devaneio típico de um fanático por vídeo - game é ,na verdade, a imagem de uma geração que prefere abster-se de qualquer contato humano a entrar no campo dos sofrimentos e decepções, típicas das relações humanas. Essas e outras aberrações decorrentes da sociedade da informação e da tecnologia parecem decretar um surgimento de um novo homem, autista e totalmente alienado ao mundo em que pertence, vivendo ilusoriamente em um ambiente artificial, onde obtém as satisfações de suas necessidades.

Caso como esses podem nos levar ao extremo do estereótipo humano desse início de século, contudo não é totalmente irreal face às características dos tempos presentes. Existem muitos SAL9000 espalhados , alheios às necessidades do próximo sob o lema máximo do individualismo acorrentados em algum cenário, sejam eles virtuais como as telas de um game ,ou, meramente ilusórios como a realidade artificial da sociedade de consumo em seus incessantes apelos às formas em detrimento da essência.


FOTOS: GOOGLE : 1 - A cerimônia de casamento de SAL.

2 - Lua de mel em Gaum.

FONTES: PORTAL MSN

FOLHA ON LINE





domingo, 27 de dezembro de 2009

RESSACA DE NATAL


Ecos reticentes de um 26 de dezembro.

*Por Andréia de Oliveira


Normalmente todo final de festa é acompanhando daquela sensação de vazio estonteante provocada pela ânsia do exagero da noite anterior acompanhada pela angustiante certeza do nada do dia anterior. Com o natal não poderia ser diferente e assim em pleno dia 26 de dezembro quando todos os presentes já foram embalados e desembalados, restam-nos as trocas como o abrigo desesperado dos refugos da generosidade que perecem lentamente nos refrigeradores. Há muito pouco a consumir ainda do saco da solidariedade do natal até que os preparativos do reveillon triunfem absolutos como a mais nova droga anestesiante da mórbida realidade, onde os sonhos renovam-se superficialmente a cada contagem arbitrária do tempo .

Assim a quase sempre radiante Salvador, a capital da Alegria, acordou cinzenta e mal humorada nesse dia, escondendo-se a todo custo do sol entusiasta dos dias anteriores. Mas ainda, resta-nos, as promessas de um verão promissor, quem sabe, patrocinado por construções megalomaníacas, como o projeto da Construção da Ponte que ligaria Salvador a Ilha de Itaparica orçada em R$ 2 bilhões . * Essas e outras maravilhosas visões do paraíso terrestre estarão presentes em nosso cotidiano em um 2010 de eleições que ofuscaram às nossas vistas com as inúmeras ofertas de felicidade suprema.

É justamente essa expectativa de “melhor dos mundos” que esteve ausente nesse ano e tornar-se tão evidente, nesse momento, a uma semana do desfecho mal sucedido de uma conferência mundial sobre clima que pretendia supostamente salvar o planeta dos danos do superaquecimento global e agora é manchete esquecida, certamente apenas lembrada em matérias de retrospectivas anuais dos telejornais. Enquanto isso, a mãe Terra demonstra sinais de intenso cansaço e desconforto, proliferando pelos quatro cantos do planeta os extremos de seu prezar e dessa maneira entre o rigoroso inverno do Norte e as tempestades torrenciais do Sul, jazemos inertes. E talvez por isso mesmo não sem razão , cinco anos passados no tsunami que matou em torno de 220.000 mil pessoas na região do Sul da Ásia e Leste da África , um novo terremoto de menor intensidade assola a Indonésia, como um tímido aviso de alerta.

Contudo em um contexto onde nem quase tudo pode ser apocalíptico ou catastrófico , voltemos a essa nossa realidade de expectativas razoáveis que se desenham com o final de mais um ano. Valem as mesmas simpatias, os mesmos rituais, as mesmas comemorações, as mesmas festas, as mesmas companhias, as mesmas roupas brancas de sempre para atrairmos a sorte? Não se sabe, ao certo. O fato é que para boa parte de nós, o dia 01 de janeiro apenas sucederá o dia 31 de dezembro no nosso débil calendário do tempo e daí então ficaremos de novo com aquele mesmo gosto de ressaca do dia 26 .



* Confiram a matéria do Jornal da Metrópole sobre a construção da Ponte Salvador - Itaparica do dia 25 de dezembro de 2009.
FOTO: GOOGLE

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

DEPRESSÃO NATALINA

*Por Andréia de Oliveira

A sociedade contemporânea é uma fonte incessante de produção de neuroses, distúrbios psicológicos, angústias e depressões, patologias que encontram abrigo em consultórios psiquiátricos, divãs de analista, religiões ou em livros de auto-ajuda, que sempre prometem oferecer o remédio ideal para a tal almejada paz de espírito. E os apelos em prol da chamada felicidade nunca estiveram tão convidativos quanto agora no final de ano diante das luzes cintilantes do natal em todas suas perspectivas consumistas e espiritualistas de satisfação.

Um bálsamo anestesiante para os crédulos da magia do natal ou simplesmente mais uma época de angústia e tristeza para os que sofrem do que a psicologia cataloga como depressão natalina, uma resposta negativa ao excesso de entusiasmo que impera no senso comum durante o período, acompanhada às vezes de tristeza e melancolia. Em uma sociedade onde os diferentes são facilmente rotulados de anormais, eis que a cura nem sempre surgirá pelas mãos das ciências humanas ou médicas.

È certo, entretanto, que os ritos de passagens são essenciais em qualquer grupo social , sendo as festas natalinas e o final de ano, símbolos do imaginário coletivo que aludem a transposição de etapas na vida de cada um, suscitando a reflexões sobre vitórias e fracassos. O grande problema estaria na escala de valores que a sociedade adota como ideal para classificar a importância dos indivíduos e de suas realizações, elaborada à luz de divagações sobre o TER ao invés do SER.

Essa contradição ganha força e contorno à mesa da ceia de Natal, local onde se congraçam os sentimentos de união e fraternidade, em meio às trocas de presentes e as ostentações outras de materialismo. E a data natalícia nada mas se torna do que o culto das vaidades humanas, onde a figura máxima da crença cristã, Jesus Cristo, cede lugar para uma a imagem capitalista na figura de um bom velhinho que presenteia as crianças em troca de um bom comportamento, dando a tônica de um tempo onde até o caráter pode ser passível de comércio.

Contra o caráter predominantemente comercial do natal, erguem-se os ingênuos ou os demasiadamente cínicos proclamando o tal espírito fraternal que despertaria os homens para ações generosas em prol do próximo. Mas por que ser solidário apenas no natal; por que desarmar o presépio símbolo do nascimento do Menino Deus no Dia de Reis; por que crucificar esse mesmo salvador na sexta-feira santa e passar o resto do ano entregue as mesquinharias, competições e frivolidades do dia a dia?

São divagações complexas e chatas por demais quando ainda se tem tantas compras a fazer, muitos corredores de shoppings lotados para enfrentar, muitas festas para ir, muitas árvores para enfeitar ......... E nessa nossa sociedade esculpida sob a égide da culpa judaica – cristã são muitos os mecanismos compensatórios que nos cercam.

Porém, nem sempre essas recompensas que o sistema nos impõe de maneira tão sutil são apreendidas e aceitas por todos como o retrato ideal de felicidade. E a sociedade contemporânea monta toda sua estrutura na necessidade da busca constante de uma quantidade cada vez maior de elementos anestesiantes, induzidos os indivíduos a recorrerem à artifícios como o consumo de tecnologia, o uso de drogas, sexo , diversão, entre outros, alimentando ,assim a própria roda produtiva do capitalismo.

Impossível não associar e classificar o natal dentro dessa própria lógica de funcionamento da sociedade, como personificação máxima dos princípios do capitalismo. Não há nada de absurdo nessa afirmação que não possa ser comprovada pelo conclame incessante dos meios de comunicação para o consumo excessivo e pela espécie de histeria coletiva reinante do ar onde atos e comportamentos são reproduzidos automaticamente sem qualquer questionamento.

Compramos presente, reunimos familiares e amigos, participamos das confraternizações de final de ano. Mas alguém sabe por que somos induzidos a fazer isso? Será que sabemos o verdadeiro significado do natal e de toda a simbologia que adorna nossos lares? Será que alguns têm conhecimento de que Cristo poderia não ter nascido em dezembro, mas sim em março* e que a festa natalina tal qual conhecermos é uma apropriação dos rituais pagãos das Tradições Primordiais que existiam antes da Era Cristã?

Posto isso, seria correto considerar os indivíduos que não compartilham da alegria extasiante do natal, como anomalias sociais, desajustados ou doentes em potencial? Para aqueles que sabem que estar no mundo não significa necessariamente participar do mundo, certamente não, pois para esses as luzes reluzentes do natal são apenas mais uma programação dos efeitos especiais dessa Matrix em que vivemos.


* Essa crônica tem caráter opinativo baseado em reflexões livres sobre tema.

* Sugestão de Leitura: A Vida Mística de Jesus- H. Spencer Lewis

IMAGENS: GOOGLE



sábado, 19 de dezembro de 2009

A FRACASSADA CÚPULA DE COPENHAGUE


Em meio a protesto de ambientalistas , discussões sobre o imperialismo e impasses entre superpontências e países emergentes chega ao fim sem grandes progressos, a Conferência sobre Mudanças Climáticas realizada na Dinamarca"


Planejada com o objetivo de realizar um acordo em substituição ao protocolo de Quioto, firmado em 1999 que propunha a redução da emissão de gases estufas, um dos principais causadores do superaquecimento global , chega ao fim, após duas semanas de negociação, a Cúpula de Copenhaque , realizada na Dinamarca que contou com a participação de 193 países. A atual Conferência do meio ambiente pretendia estabelecer metas de redução dos gases tóxicos provenientes das atividades industriais para os países que não assinaram o tratado anterior, como Estados Unidos , um dos maiores emissores de gás carbônico do planeta, abrangendo também países emergentes , como China, Brasil e Índia.

Desde o início o embate girava em torno das discussões sobre as responsabilidade dos países emergentes para o processo de aquecimento global e a obrigação de arcarem com o ônus juntamente com países que já alcançaram um nível ideal de desenvolvimento industrial. Sobre esse particular , o presidente colombiano Evo Morales , um dos participantes da cúpula, soltou farpas contra o modelo de desenvolvimento da sociedade industrial, acusando o capitalismo de ser o único responsável pelas mudanças climáticas que acometem o planeta.

Um outro ponto controverso dizia respeito à criação de um fundo internacional no montante de U$ 100 bilhões anuais, a ser doados pelos países desenvolvidos para viabilizar a adaptação dos países pobres ao superaquecimento global,. A dificuldade da aceitação de tal financiamento ocorreria em virtude de uma cláusula, que estabeleceriam controle e fiscalização externa a fim de verificar a utilização dos valores doados, medida esta, rejeitada pela China que reivindicou a prevalência da soberania interna de cada país.

PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NA CP-15 –O Brasil foi um dos 193 países participantes da 15 ª Conferência da ONU sobre o clima , apresentando um programa voluntário de redução da emissão de gases com metas superiores as esperadas para os países emergentes. Em discurso na cúpula Lula criticou a falta de consenso dos participantes da CP -15 que não conseguiam firmar um acordo objetivo, salientando a posição brasileira de combate ao superaquecimento global, propondo-se , inclusive, a contribuir para o fundo internacional de auxílio aos países pobres, mesmo a custo de sacrifícios internos.

Dessa maneira em clima de total desentendimento entre os países desenvolvidos e emergentes, a CP-15 chegou aos momentos finais sem nenhum tratado importante ratificado, sendo evidente as tensões entre os Estados Unidos e a China, no que tange as metas de reduções das emissões dos gases estufas. O acordo anunciado pelo Presidente Obama, na noite do dia 18 de dezembro, como resultado dos 12 dias negociações , não passa de uma cartas de intenções tímida, onde os países que se comprometem a combater o superaquecimento global sem o estabelecimento de medidas claras e efetivas, frustrado as expectativas do que esperam a elaboração de um documento histórico em substituição ao Protocolo de Quioto.

O acordo prevê a criação de um fundo de U$ 10 bilhões por ano durante o período entre 2010 e 2012 e U$ 100 bilhões anuais a partir de 2012 a serem destinados aos países pobres para serem adotados como medidas de minimização e combate dos efeitos provocados pelas mudanças climáticas. Não há entretanto grandes avanços no programa de redução da emissão de dióxido de carbono , nem o estabelecimentos de objetivos e metas concretas de medidas para a contenção do processo de aquecimento global.
REAÇÃO INTERNANCIONAL – O acordo proposto pelos Estados Unido
s e aprovado inicialmente por trinta 30 países desenvolvidos e emergentes foi alvo de repúdio por partes de países pobres como Tuvalu, Venezuela, Bolívia, Cuba e Sudão, que se negaram a assinar o acordo, conferindo assim a ausência de um caráter unânime para as decisões de Copenhague. Também as ONGs, como WWF, Oxfam, Avaaz e Amigos da Terra, criticaram duramente o caráter evasivo das medidas anunciadas pela CP-15 e o seu proeminente fracasso em conter os desastres ambientais causados pelo superaquecimento global.

Nesse conturbado debate entre os lideres mundiais que se reuniram com o objetivo de salvar o planeta de uma catástrofe ambiental próxima, divulgou-se nos meios de comunicação, dias antes do início da conferência climática, teorias que condizem o processo de aquecimento global como resultado do aumento das emissões de gases como o dióxido de carbono na atmosfera terrestre . Para cientistas como o canadense Timotht Ball ,as teses do superaquecimento global defendidas pelo grande consenso geral , é uma fraude, uma vez que o aumento da temperatura do planeta é um processo natural, condicionado as mudanças da atividade solar.

Se a teoria do superaquecimento global pode ou não ser questionada a luz de outros estudos, é um debate a ser estendido para além dos domínios da ciência, uma vez que afeta diretamente a vida humana. Mas o fato é que os pretendidas avanços na área ambiental, esperados a partir da CP-15 , foram inibidos em uma clara prova de que interesses econômicos e políticos sobrepõem-se a preocupação com a vida de milhões e com a sobrevivência do próprio planeta.

Assim, a Cúpula de Copenhague mostrou-se ao grande público, como uma grande guerra entre superpotências decadentes e emergentes, na preservação de seus interesses imperialistas e econômicos, e não uma conferência entre líderes mundiais preocupados com o futuro do planeta. Nesse palanque de boas intenções, importante citar a participação brasileira, que se propõe a contribuir com recursos financeiros para a constituição do fundo de ajuda aos países, mesmo a despeito de sua crise social evidenciada pelo número de brasileiros condenados a pobreza sem acesso a condições dignas de vida, além é claro das próprias questões ambientais internas, como o desmatamento das áreas verdes, extinção da biodiversidade da fauna e flora a poluição dos rios e da atmosfera, entre outros.


TEXTO: ANDRÉIA M. DE OLIVEIRA

FONTES: FOLHA ON LINE

AGÊNCIA G1

RESISTIR INFO

IMAGEM: GOOGLE

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A REVOLTA HEDONISTA

Os ecos entusiastas do paraibano IkaRo MaxX

Um estilo livre, contagiante e original, desapegado de quaisquer normas ou convenções estão presentes nos versos do jovem paraibano, IkaRo MaxX. Poeta performático , Ikaro encena com maestria em suas declamações públicas todo o furor da verve maldita , existentes na essência de sua obra. Em seu universo poético que mescla a rebeldia inteligente proclamadas em tons de lirismo encontram-se abordagens hedonistas, exaltando a liberdade criativa do poeta.

Apesar da pouca idade, 24 anos, esse poeta paraibano já participou de algumas Antologias Poéticas, como Poemas Dispersos da Coleção Literatura Clandestina , em 2006, Poemas de Mil Compassos da Coleção Literatura Clandestina, da Editora Clube de Autores , em 2009. Publicou ,ainda, Manifesto – Lançamento do Niilismo Positivista , em 2002, Canções Anarquistas para Crianças Fora do Século, Um Cristo Cuspido no Espelho do Século , em 2007 e Lê Fantôme de Maldoror, em 2008. Escreve também no blog Dionísio em Pedaços, além de contribuir frequentemente , com participações em outros portais , com textos e poemas a exemplo desse trabalho, Procriação, publicado no Duelos Literários, em 02 de dezembro de 2009.

PROCRIAÇÃO

Por Ikaro Maxx *

a fagulha das penumbras queimam na última hora

deixando escorrer o escárnio daquelas senhoras santas

que sonharam tanto um dia serem

como a virgem Maria

pregada numa imaculada vitrine

enquanto suas saias soltam centelhas

de filhos santos abortados pelos homens

& na margem final das contas

onde os números acumulam cenas

os olhos vermelhos dos casais desconsolados

miram no filho a única iguaria leviana em todo a Eternidade

atrás das paredes batem asas os pensamentos

os talhares dispostos para mais uma ceia

o batom entalhado na face usada de uma mulher de bem

e as velas queimando um último décimo de decência

inalada juntamente aos gases horríveis

da mãe que morre em sua poltrona preferida...

* IkaRo MaxX , é um dos participantes do Livro “ Poemas de Mil Compassos” , Coleção Literatura Clandestina da Editora Clube de Autores.

FONTES: Blog Café em Versos e Prosa

Site do Governo do Estado da Paraíba

Revista Muito – Jornal A Tarde

FOTO: Blog Literatura Clandestina

TEXTO: Andréia M. de Oliveira